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Os 3 ETFs mais comprados de 2026 (e os que mais valorizaram são outros)

O primeiro semestre de 2026 foi histórico para os ETFs: mais de 1 bilião de dólares em entradas líquidas nos fundos cotados nos Estados Unidos em apenas seis meses, um ritmo que aponta para um ano recorde acima dos 2 biliões, segundo a FactSet e a State Street.
Mas dentro desse número gigante escondem-se duas listas muito diferentes, e é no contraste entre elas que está a lição deste artigo. De um lado, os ETFs onde os investidores puseram mais dinheiro. Do outro, os ETFs que mais valorizaram. E, spoiler: quase não se tocam.
Uma nota antes de começar: os rankings de fluxos e retornos são construídos sobre ETFs americanos, que por regra não podemos comprar diretamente na Europa (regulamentação PRIIPs). Por isso, ao longo do artigo damos-te logo o equivalente europeu (UCITS) de cada um, o que podes realmente comprar numa corretora cá.
Os 3 ETFs mais comprados de 2026
Segundo os dados de fluxos da ETF Trends e da FactSet, o pódio das entradas líquidas no ano é dominado por fundos "aborrecidos", no melhor sentido da palavra:
1. Vanguard S&P 500 ETF (VOO), com cerca de 75 mil milhões de dólares de entradas no ano. O clássico dos clássicos: réplica do S&P 500 a custo de 0,03% ao ano. Em 2026 fez história ao tornar-se o primeiro ETF de sempre a ultrapassar 1 bilião de dólares em ativos. Valorizou cerca de 10% no primeiro semestre. → Equivalente europeu: Vanguard S&P 500 UCITS (VUAA, na versão de acumulação) ou iShares Core S&P 500 UCITS (CSPX). Mesmo índice, roupagem europeia.
2. SPDR Portfolio S&P 500 ETF (SPYM), com cerca de 36,5 mil milhões. É a versão de baixo custo da State Street para o mesmo índice, pensada para quem compra e mantém. → Equivalente europeu: SPDR S&P 500 UCITS (SPYL), que compete precisamente pelo custo, com um TER de apenas 0,03%.
3. Vanguard Total Stock Market ETF (VTI), com mais de 31 mil milhões. Vai além do S&P 500 e cobre praticamente todo o mercado acionista americano, incluindo médias e pequenas empresas. → Equivalente europeu: não existe um clone perfeito em formato UCITS. As alternativas habituais são um ETF S&P 500 (que cobre cerca de 80% do mercado americano) ou um ETF MSCI USA. E quem quer diversificação total costuma preferir dar o passo seguinte: um ETF mundial, como os que replicam o FTSE All-World ou o MSCI World.
Nota-se o padrão? Os três são fundos de índice amplos, baratos e diversificados. O dinheiro grande, de aforradores e consultores, continua a ir para o núcleo da carteira, não para as modas. Logo atrás no ranking aparecem o SGOV, de obrigações do Tesouro americano de curtíssimo prazo, com cerca de 25 mil milhões (na Europa, o papel equivalente é feito por ETFs como o iShares $ Treasury Bond 0-1yr UCITS, IB01), e, em junho, o IVV da iShares, que num só mês captou 43,6 mil milhões, embora parte desse valor reflita movimentos técnicos de fim de trimestre.
Os que mais valorizaram (uma lista completamente diferente)
Agora a outra lista, a dos retornos, com dados da etf.com para o primeiro semestre. Excluindo produtos alavancados:
1. Breakwave Tanker Shipping ETF (BWET): cerca de +684%. O campeão do ano não é de tecnologia: aposta nas tarifas de frete de petroleiros, que dispararam com o conflito no Médio Oriente e a disrupção das rotas de petróleo. Um nicho minúsculo, no sítio certo, à hora certa. Sem equivalente europeu, e talvez seja melhor assim.
2. Invesco Semiconductors ETF (PSI): cerca de +138%. Aqui entra o tema que dominou tudo o resto: os semicondutores e a corrida à infraestrutura de inteligência artificial.
3. VistaShares Artificial Intelligence Supercycle ETF (AIS): cerca de +124%. Um cabaz de IA que bateu a maioria dos fundos puros de chips.
Logo atrás vêm o conhecido iShares Semiconductor ETF (SOXX), a valorizar mais de 100% no ano segundo os dados mais recentes da etf.com, o FTXL da First Trust (que duplicou) e até o ETF da Coreia do Sul (EWY, +106%), puxado pela Samsung e SK Hynix, gigantes da memória. Menção especial para o Roundhill Memory ETF (DRAM): lançado apenas em abril, subiu cerca de 166% e tornou-se o ETF mais rápido de sempre a atingir 10 mil milhões de dólares, em 43 dias.
→ E na Europa? Para o tema dos semicondutores existem opções UCITS sólidas, como o VanEck Semiconductor UCITS (VVSM), primo europeu do famoso SMH, e o iShares MSCI Global Semiconductors UCITS (SEMI), mais global e diversificado. Para nichos como memória pura, petroleiros ou IA "supercycle", não há, para já, réplica europeia. O investidor europeu que quer o tema tem de o apanhar pela via mais larga, e diversificada, dos ETFs de semicondutores globais.
E se incluirmos os alavancados? Os números ficam surreais: fundos de alavancagem dupla sobre ações individuais como a Micron somaram mais de 900%, e o SOXL (3x semicondutores) subiu mais de 500%. Mas atenção: estes produtos são desenhados para trading diário, não para investir. As suas versões inversas perderam quase 90% no mesmo período. É a outra face da mesma moeda.
A lição escondida no contraste
Repara no que estas duas listas te dizem quando postas lado a lado.
Onde está o dinheiro sensato: nos índices amplos e baratos. Milhões de investidores continuam a canalizar poupança para o S&P 500 e para o mercado total, ganhando os seus 10% semestrais sem sobressaltos.
Onde estão os retornos loucos: em nichos cíclicos e concentrados, petroleiros, memória, chips. Retornos de 100% a 600% existem, mas quase sempre em setores que tanto disparam como se afundam. O transporte de petróleo depende de uma guerra. A memória é dos setores mais cíclicos do planeta: ao boom de hoje seguem-se, historicamente, quedas brutais quando a oferta apanha a procura.
E a armadilha clássica: olhar para a lista dos vencedores em julho e comprá-la. Chama-se performance chasing e é das formas mais fiáveis de destruir retornos, porque compras depois da subida e vendes depois da queda. Quem comprou BWET foi recompensado por ter assumido um risco enorme antes de o resultado se conhecer, não por ter lido um ranking a meio do ano.
A abordagem que os próprios dados de fluxos sugerem é a mais sã: núcleo da carteira em índices amplos e, se tiveres mesmo convicção num tema, uma posição satélite pequena, com dinheiro cuja perda não te tira o sono.
Como escolher a versão europeia certa
Já viste os tickers UCITS ao longo do artigo. Na hora de escolher entre eles, compara quatro coisas: o índice replicado (S&P 500, MSCI World, setorial), o custo total anual (TER), o domicílio (a Irlanda é o padrão, por ter vantagens fiscais na retenção sobre dividendos americanos) e se o fundo é de acumulação (reinveste os dividendos, mais simples e eficiente para acumular a longo prazo) ou de distribuição (paga-tos).
E lembra-te da regra fiscal portuguesa: as mais-valias de ETFs pagam, por norma, 28% de imposto, com a possibilidade de englobamento e de exclusão parcial para detenções longas, conforme a lei em vigor.
Fontes: etf.com, Best Performing ETFs of 2026 · etf.com, ETF Inflows Top $1 Trillion · ETF Trends, 2026 ETF Inflows · ETF Trends / State Street, primeiro semestre recorde
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⚠️ Este artigo é informativo e reflete dados conhecidos no início de julho de 2026, atribuídos às respetivas fontes. Os ETFs UCITS mencionados são exemplos ilustrativos de equivalentes europeus, não recomendações. O desempenho passado não garante resultados futuros, e retornos extraordinários vêm normalmente acompanhados de risco extraordinário. Nada aqui constitui recomendação de compra ou venda nem aconselhamento financeiro personalizado. Investir envolve risco de perda de capital.
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