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Resumo dos mercados: 7 de agosto de 2026

Resposta rápida
A sexta-feira ficou marcada por um relatório de emprego fraco nos EUA (menos 23 mil postos em julho), que fez subir as ações por aumentar as apostas num corte de juros da Fed. A Atlassian disparou cerca de 34% com bons resultados, e a Europa fechou perto de máximos históricos.
A sexta-feira foi dia de relatório de emprego nos EUA. E o mercado reagiu ao contrário do que seria de esperar: o dado saiu fraco, e as ações subiram.
Aqui fica o resumo do dia, por ordem de importância. Os valores da Europa e da Ásia são fechos de sessão. Wall Street ainda negociava quando este artigo foi escrito, a meio da tarde em Lisboa.
As notícias que marcaram o dia
1. 🇺🇸 O emprego nos EUA travou a fundo
A economia americana perdeu 23 mil postos de trabalho em julho. Os analistas esperavam uma criação de cerca de 83 mil. A taxa de desemprego ficou em 4,1%.
Porque é que isto fez subir as bolsas? Porque um mercado de trabalho mais fraco tira pressão à Reserva Federal para manter os juros altos. Wall Street passou a apostar mais num corte de juros já em setembro. Resultado: as ações subiram e as yields das obrigações desceram. Foi a leitura que mandou no dia inteiro.
2. 🚀 A Atlassian foi a estrela
A empresa dona do Jira e do Confluence disparou cerca de 34% depois de apresentar contas. A receita do trimestre chegou aos 1,77 mil milhões de dólares, mais 28% face ao ano anterior, acima do que o mercado esperava. O lucro por ação foi de 1,87 dólares, também acima da estimativa de 1,50.
O que empurrou a ação não foi só o passado. Foram as previsões: a Atlassian apontou para uma receita no próximo trimestre acima do consenso, com o negócio de cloud a crescer mais de 30%. Vários bancos reagiram a subir o preço-alvo. Quando os números e o discurso apontam na mesma direção, o mercado tende a pagar por isso.
3. 💻 A onda de resultados no software puxou a tecnologia
A Atlassian não esteve sozinha. Foi um dia forte para o software cotado nos EUA. A Twilio saltou a dois dígitos, a Cloudflare avançou com uma previsão animadora e a Airbnb subiu depois de receitas e lucros acima do esperado.
Contexto: estamos no pico da época de resultados. Quando várias empresas do mesmo setor batem as estimativas ao mesmo tempo, o efeito soma-se e arrasta o índice tecnológico.
4. 📉 O mercado também castigou quem falhou
Nem tudo subiu. A The Trade Desk, do setor de publicidade digital, caiu cerca de 18% depois de resultados dececionantes. A Seagate recuou perto de 8%, arrastada por previsões fracas da rival Western Digital no armazenamento de dados.
A lógica é a mesma dos vencedores, ao contrário: numa altura em que as ações estão caras, quem desilude paga a fatura no mesmo dia.
5. 🇪🇺 A Europa fechou perto de máximos
Do lado de cá do Atlântico, o STOXX 600 fechou por volta dos 660 pontos, em terreno de recordes, e caminha para a melhor semana desde junho. As principais praças acompanharam: o DAX alemão, o CAC 40 francês e o FTSE 100 britânico fecharam todos em ligeira alta.
O combustível foi o mesmo: resultados. Os lucros do 2.º trimestre das empresas do STOXX 600 estão a crescer perto de 21% face ao ano anterior, bem acima do que se esperava no início da temporada.
6. 🌏 A Ásia fechou mista
Na Ásia, o dia foi de duas velocidades. O índice de Xangai subiu 0,8%, para 3.931 pontos, depois de a China reportar exportações a crescer cerca de 24% em julho, puxadas pela procura de eletrónica e produtos de tecnologia.
Do outro lado, o japonês Nikkei 225 cedeu 0,3%, para 65.500 pontos, e o sul-coreano Kospi perdeu 0,8%, para 6.243. A pressão sobre os fabricantes de chips ligados à inteligência artificial ainda pesou nestes mercados.
7. 🛢️ O petróleo recuperou
Depois de uma semana de quedas, o petróleo subiu mais de 1%. É um dado a vigiar, porque o preço da energia mexe com a inflação e, por essa via, com a própria decisão dos bancos centrais sobre os juros.
Os fechos do dia
| Índice | Região | No dia |
|---|---|---|
| S&P 500 | EUA (intradiário) | +0,5% |
| Nasdaq | EUA (intradiário) | +1,1% |
| Dow Jones | EUA (intradiário) | +0,3% |
| STOXX 600 | Europa | +0,3% (~660 pts) |
| DAX | Alemanha | +0,3% |
| CAC 40 | França | +0,2% |
| FTSE 100 | Reino Unido | +0,2% |
| Nikkei 225 | Japão | −0,3% (65.500) |
| Kospi | Coreia do Sul | −0,8% (6.243) |
| Xangai Composto | China | +0,8% (3.931) |
O que fica no radar
O grande teste vem já nos próximos dias, com novos dados de inflação nos EUA. Se os preços continuarem controlados, a aposta num corte de juros da Fed em setembro ganha força. Se surpreenderem em alta, a história muda.
Fica também no calendário a reta final da época de resultados, com mais empresas a reportar de parte a parte do Atlântico, e os dados da China, que esta semana mostraram exportações resilientes. E o petróleo, que voltou a subir e pode reentrar na conversa da inflação.
Nota: os valores da Europa e da Ásia são fechos de sessão do dia; os dos EUA são intradiários, com Wall Street ainda a negociar à hora de escrita. Este é um resumo informativo do que aconteceu nos mercados, não é aconselhamento financeiro.
Perguntas frequentes
Porque é que as bolsas subiram com um mau relatório de emprego?
Porque um mercado de trabalho mais fraco aumenta a probabilidade de a Reserva Federal cortar os juros. Juros mais baixos tendem a favorecer as ações, sobretudo a tecnologia, e fazem descer as yields das obrigações. Foi essa leitura que dominou a sessão.
Porque disparou a Atlassian?
A dona do Jira e do Confluence apresentou resultados trimestrais acima do esperado (receita a crescer 28%) e previsões para o próximo ano melhores do que os analistas contavam. Vários bancos subiram o preço-alvo, e a ação valorizou cerca de 34%.
O que fica no radar depois deste dia?
Os próximos dados de inflação nos EUA e a reunião de setembro da Fed, que vão testar a aposta num corte de juros. Continua também a época de resultados e os dados da China.
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