Poupança
2,5% bruto não é vitória: o verdadeiro preço dos depósitos
Resposta rápida
Em 2026, os melhores depósitos chegam a 2,5% bruto (~1,8% líquido após 28% IRS). Isto fica abaixo dos 2,1% de inflação estimada, reduzindo poder de compra. São úteis para fundos de emergência, mas não para enriquecer a longo prazo.
Se há uma coisa que aprendi a fazer ao longo dos anos é a não me deixar iludir por um número bonito num folheto de banco. Porque 2,5% parece ótimo — até perceberes que depois do imposto e da inflação, o teu dinheiro está a perder poder de compra na mesma.
É disso que trata este artigo: ajudar-te a comparar depósitos a prazo com os critérios certos, perceber o que fica realmente no teu bolso e tomar decisões informadas para a tua poupança em 2026.
Depósito a prazo é poupança — não investimento
Antes de mais, é importante ter isto claro: um depósito a prazo não é um instrumento de crescimento de património. É uma forma de guardar dinheiro com segurança, com uma remuneração conhecida à partida.
O capital está garantido até €100.000 por depositante por instituição, ao abrigo do Fundo de Garantia de Depósitos (FGD). Esta proteção é automática — não tens de fazer nada para a ativar, e não afeta a taxa que recebes.
Isto faz do depósito a prazo um excelente lugar para o teu fundo de emergência ou para poupanças com um objetivo e prazo definidos. Para construção de riqueza a longo prazo, há outros caminhos — como ETFs ou PPR — mas isso é outra conversa.
Os 4 critérios que realmente importam na comparação
1. TANB — a taxa que permite comparar bancos
A Taxa Acordada Anualizada Bruta (TANB) é a taxa de juro bruta, expressa em termos anuais, de forma uniforme entre instituições. É o ponto de partida de qualquer comparação séria.
O Banco de Portugal publica as taxas médias mensalmente no BPstat. Em fevereiro de 2026, a taxa média dos novos depósitos a prazo de particulares era de 1,36% bruto — abaixo dos 1,83% registados em fevereiro de 2025, e muito longe dos 2,91% de janeiro de 2024.
A média diz-te onde está o mercado. As ofertas acima da média são as que vale a pena perseguir.
2. Prazo
Os prazos mais comuns no mercado português são 3, 6, 12 e 24 meses. Em teoria, prazos mais longos deviam oferecer taxas mais altas — é a compensação pelo tempo que ficas sem acesso ao dinheiro. Na prática, em 2026, essa diferença é marginal.
A questão mais importante é: em quanto tempo vais precisar deste dinheiro? A taxa não vale nada se ficas bloqueado numa situação em que necessitas do capital.
3. Mobilização antecipada
Este é um critério frequentemente ignorado — e é dos mais importantes.
- Depósito sem mobilização: a taxa é mais alta, mas o dinheiro fica imobilizado até ao vencimento. Se levantares antes, podes perder os juros e até pagar penalizações.
- Depósito mobilizável: a taxa é geralmente mais baixa, mas podes levantar o capital (normalmente com pré-aviso) se precisares.
Em março de 2026, havia no mercado produtos mobilizáveis com taxas a rondar os 2,5% bruto — o que é competitivo, mesmo com a flexibilidade incluída. A escolha depende do teu horizonte e da certeza que tens sobre não precisar do dinheiro.
4. Garantia de depósitos
Já referi acima, mas vale repetir: todos os bancos a operar em Portugal têm de estar integrados no FGD, que protege até €100.000 por depositante por instituição. Se tens mais do que isso para depositar, considera distribuir por mais do que uma instituição.
Retrato das taxas em julho de 2026
Segundo dados publicados pela DECO PROteste Investe a 14 de julho de 2026, há quase 40 depósitos a prazo no mercado português com taxas superiores às dos Certificados de Aforro. O Haitong Bank surge com as melhores ofertas nos prazos de 12 e 24 meses, e instituições como o Bison Bank e o Banco Finantia também aparecem com propostas competitivas.
Em termos de acessibilidade, há diferenças relevantes nos montantes mínimos: o Haitong Bank aceita a partir de €2.500, enquanto o Bison Bank exige depósitos a partir de €25.000.
Aviso importante: estas informações são uma fotografia do mercado. As taxas dos depósitos a prazo mudam mensalmente — às vezes de forma significativa. Antes de tomares qualquer decisão, consulta o simulador oficial do Banco de Portugal para teres os dados mais atualizados.
O que realmente fica no teu bolso: bruto vs. líquido
Este é o ponto onde muita gente se perde — e onde as expectativas desaparecem.
Os juros de depósitos a prazo estão sujeitos a 28% de IRS, retido automaticamente na fonte. Não tens de fazer nada — o banco desconta antes de te pagar. Mas tens de contar com isso ao comparar.
O cálculo é simples:
Taxa líquida = Taxa bruta × (1 − 0,28) = Taxa bruta × 0,72
Exemplos concretos:
| Taxa bruta | Taxa líquida (após 28% IRS) |
|---|---|
| 1,36% | ~0,98% |
| 2,0% | ~1,44% |
| 2,4% | ~1,73% |
| 2,5% | ~1,80% |
Agora repara no detalhe crucial: em março de 2026, as melhores ofertas do mercado chegavam aos 2,5% bruto — ou seja, ~1,8% líquido. A inflação estimada para 2026 ronda os 2,1%. Isto significa que, mesmo com o melhor depósito disponível, o teu poder de compra está a diminuir ligeiramente em termos reais.
Não é razão para não usar depósitos — é razão para saberes exatamente o que estás a fazer e para quê. Guardar o fundo de emergência num depósito a prazo mobilizável é uma decisão racional, mesmo que não supere a inflação. Colocar toda a poupança de longo prazo num depósito e esperar enriquecer, já não.
Se queres perceber como os Certificados de Aforro se comparam com os depósitos a prazo, tenho um guia dedicado a esse tema.
Onde guardar e como automatizar
Fundo de emergência (3 a 6 meses de despesas)
Para este dinheiro, a prioridade é liquidez, não taxa máxima. Escolhe uma conta poupança flexível ou um depósito mobilizável a 3 meses. Aceitas uma taxa ligeiramente mais baixa em troca de conseguires aceder ao dinheiro se precisares.
Poupança com objetivo e prazo definido
Se sabes que só vais precisar do dinheiro daqui a 2 anos — para um carro, obras em casa ou outra meta — então faz sentido bloquear num depósito a 24 meses com a melhor TANB disponível. Usa o simulador do Banco de Portugal para comparar.
Automatiza a poupança
Configura uma transferência automática mensal — logo a seguir ao dia em que recebes o salário — para a conta onde guardas a tua poupança. Não precisas de força de vontade se o sistema trabalha por ti. É o método mais simples e mais eficaz que existe.
Revisão anual
Em janeiro de cada ano, dedica 30 minutos a consultar o simulador do Banco de Portugal e a verificar o que está disponível. Quando o teu depósito vencer, compara se vale a pena renovar na mesma instituição ou migrar para outra com melhor oferta. As taxas mudam — a tua estratégia deve acompanhar.
Este artigo é conteúdo educativo e não constitui aconselhamento financeiro personalizado. Antes de tomares qualquer decisão, considera a tua situação pessoal e, se necessário, consulta um profissional qualificado.
Perguntas frequentes
Qual é a diferença entre TANB e a taxa que realmente recebo?
TANB é a taxa bruta anualizada. O que recebes é a taxa líquida: TANB menos 28% de IRS retido na fonte. Exemplo: 2,5% bruto = ~1,8% líquido. O banco desconta automaticamente, sem ação tua.
Vale a pena um depósito a prazo em 2026 se a inflação é 2,1%?
Depende do objetivo. Para fundo de emergência ou poupança a curto prazo, sim — é seguro e flexível (especialmente se mobilizável). Para enriquecer a longo prazo, não — perdes poder de compra. Para isso existem ETFs e PPR.
O que acontece se precisar do dinheiro antes do vencimento?
Depende do tipo. Depósitos sem mobilização podem penalizar-te (perder juros ou pagar multa). Depósitos mobilizáveis permitem levantamento com pré-aviso, geralmente com taxa mais baixa. Verifica sempre as condições antes de contratar.
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