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Nvidia compra a Hugging Face, Wall Street recupera e o iene dispara: o resumo dos mercados de 3 de setembro

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Nvidia compra a Hugging Face, Wall Street recupera e o iene dispara: o resumo dos mercados de 3 de setembro
Foto de Sede da Nvidia em Santa Clara, Califórnia. Foto: Coolcaesar, Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0 no Unsplash

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Na sessão de 3 de setembro de 2026, Wall Street subiu mais de 1% depois de o governador da Fed Christopher Waller admitir manter os juros, a Nvidia anunciou a compra da Hugging Face por cerca de 13 mil milhões de dólares e a Snowflake disparou mais de 20%. A Europa fechou sem direção e o iene subiu com apostas numa subida de juros do Banco do Japão.

Wall Street fechou em alta e quebrou a série de perdas com que setembro começou. As yields das obrigações americanas aliviaram, o petróleo estabilizou e a Nvidia anunciou a segunda maior compra da sua história. Na Europa, o dia foi de indecisão. Na Ásia, o iene disparou e o Kospi deu um susto.

Aqui tens o que aconteceu, por ordem de relevância 👇

1. Nvidia compra a Hugging Face por cerca de 13 mil milhões de dólares 🎯

A notícia do dia veio da Nvidia. A empresa chegou a acordo para comprar a Hugging Face, a plataforma onde milhões de modelos de inteligência artificial e conjuntos de dados abertos são partilhados.

Os números: cerca de 11,9 mil milhões de dólares pagos aos acionistas da Hugging Face, mais um programa de retenção em ações até mil milhões para os trabalhadores que passarem para a Nvidia. O fecho da operação está previsto para o primeiro semestre de 2027, dependente de aprovações regulatórias.

Porque importa: é a segunda maior aquisição de sempre da Nvidia, só atrás da compra de ativos da Groq por 20 mil milhões em dezembro. A Hugging Face tinha recusado em 2025 um investimento de 500 milhões da própria Nvidia para manter a independência. A Nvidia diz que vai manter a plataforma aberta. As ações da Nvidia subiram na sessão.

2. Waller trava as apostas numa subida de juros nos EUA 💸

O governador da Fed Christopher Waller disse que, se os dados de inflação das próximas duas semanas confirmarem a tendência, está inclinado a manter a taxa de juro inalterada na reunião de 15 e 16 de setembro.

A reação foi imediata. A yield dos títulos a 10 anos recuou para cerca de 4,75%, depois de na quarta-feira ter tocado o nível mais alto desde novembro de 2023. As probabilidades implícitas de uma subida de juros em setembro caíram para cerca de 48%, menos 15 pontos percentuais do que na véspera.

Contexto: a inflação nos EUA continua acima do objetivo de 2% e o petróleo caro alimenta o receio de mais pressão nos preços. Por isso o mercado andava a discutir uma subida, e não um corte. A posição de Waller contrasta com o tom mais duro do presidente da Fed, Kevin Warsh, na semana passada.

3. Snowflake dispara mais de 20% e arrasta o software 🚀

A Snowflake apresentou resultados acima do esperado e subiu a previsão de receita de produto para o ano fiscal de 2027, de 5,84 para 6,07 mil milhões de dólares. A receita de produto cresceu 37% no trimestre.

O CEO Sridhar Ramaswamy atribuiu cerca de metade da aceleração aos produtos de IA. As ações fecharam a subir mais de 20%, e pelo menos 22 corretoras reviram os preços-alvo em alta.

Porque importa: o setor de software tem sido visto como uma potencial vítima da IA. Estes números mostram a IA a converter-se em procura real na plataforma. ServiceNow, Salesforce, Adobe e Atlassian ganharam entre 3,5% e 6%.

4. Broadcom bate estimativas, mas o mercado queria mais 📦

A Broadcom apresentou receita de 29,59 mil milhões de dólares no terceiro trimestre fiscal (esperava-se 29,36) e lucro ajustado de 3,32 dólares por ação. A receita de semicondutores de IA cresceu 221% para 16,7 mil milhões.

O problema esteve na previsão: 34,8 mil milhões para o quarto trimestre, ligeiramente abaixo dos 35,03 mil milhões que os analistas esperavam. As ações oscilaram e acabaram praticamente inalteradas, com ligeira queda.

Contexto: a fasquia estava muito alta. Quando as expectativas já incluem crescimento a três dígitos, bater as estimativas por pouco deixa de chegar.

5. Google escapa à separação do negócio de publicidade ⚖️

A juíza Leonie Brinkema decidiu que a Google não terá de vender a bolsa de anúncios AdX nem o servidor de anúncios DFP. Em vez disso, impôs mudanças de comportamento: fim do "first look", do "last look" e das regras de preço unificado que davam vantagem à Google nos leilões de publicidade.

Porque importa: era o cenário mais temido pelos acionistas da Alphabet, e não aconteceu. Uma decisão detalhada sai dentro de 14 dias e as partes têm 30 dias para propor a sentença final.

6. Petróleo estabiliza depois de três dias a subir 🛢️

Os EUA voltaram a atacar alvos no Irão e Teerão respondeu com drones e mísseis contra bases americanas no Koweit, Emirados e Jordânia. O Brent ficou perto dos 95 dólares e o WTI à volta dos 91,70 dólares, depois de uma subida de 9% em três sessões.

Donald Trump disse que a campanha não vai durar "muito tempo", o que ajudou a travar a escalada. O ouro fechou perto dos 4.520 dólares, a subir mais de 2%, e o bitcoin subiu mais de 5% para cima dos 81.000 dólares.

7. Iene dispara e Kospi assusta 🗓️

O iene valorizou entre 1,5% e 2% face ao dólar, a maior subida em semanas, com o mercado a apostar numa subida de juros do Banco do Japão na reunião de 17 e 18 de setembro. O governador Kazuo Ueda admitiu que a decisão vai ser debatida.

Um iene mais forte penaliza as exportadoras japonesas. O Nikkei 225 fechou a cair 0,17%, para 64.214 pontos, enquanto o TOPIX subiu 0,5%.

Na Coreia do Sul, o Kospi caiu cerca de 3% em dez minutos antes de recuperar e fechar a subir 0,26%, nos 6.579 pontos. Hong Kong recuou 0,39% e Xangai ficou inalterada.

8. Europa sem direção, luxo a cair 🇪🇺

As bolsas europeias fecharam praticamente onde abriram, em mínimos de um mês. O STOXX 600 ficou nos 646 pontos e o Euro STOXX 50 nos 6.359. O DAX e o FTSE 100 subiram marginalmente, o CAC 40 recuou 0,2%.

O luxo foi o setor mais castigado: LVMH caiu 2,2%, Hermès 2,9% e L'Oréal 1,9%. Do lado positivo, a Deutsche Telekom subiu 1,2% depois de o fundo ativista Elliott ter revelado uma posição relevante na empresa, com o argumento de que a fusão com a T-Mobile US deve ser abandonada.

Contexto macro: a inflação na zona euro subiu para 3,3% em agosto, o valor mais alto desde 2023, e o BCE já admitiu que a próxima decisão pode ser uma subida.

9. Outros movimentos a registar 📊

→ ChargePoint disparou mais de 50% depois de bater as estimativas, com receita de 116 milhões de dólares (+18%) e margem bruta recorde.

→ Palantir subiu 8,7% após a subsidiária Palantir USG assinar um contrato com o Exército dos EUA para oito sistemas TITAN.

→ Campbell's caiu cerca de 6%: vendas a recuar 8%, corte do dividendo e previsões fracas.

→ Ultragenyx afundou 44% depois de um ensaio de fase 3 na síndrome de Angelman falhar os objetivos principais.

→ Dados macro nos EUA: o défice comercial subiu para 88,6 mil milhões em julho, o mais alto desde março de 2025. Os despedimentos anunciados em agosto foram os mais baixos para este mês desde 2022.

Fecho dos principais índices 🗓️

Índice Fecho Variação
S&P 500 7.747,71 +1,06%
Nasdaq Composite 26.584,06 +1,40%
Dow Jones 53.686,11 +1,18%
Russell 2000 2.969,01 +0,54%
STOXX 600 646,3 +0,1%
Euro STOXX 50 6.359 -0,1%
DAX 25.851 +0,05%
CAC 40 8.261 -0,2%
FTSE 100 10.762 +0,1%
Nikkei 225 64.214,48 -0,17%
Hang Seng 25.213,31 -0,39%
Xangai Composite 3.942,09 +0,02%
Kospi 6.579,48 +0,26%

O que fica no radar 📡

Amanhã, sexta-feira, sai o relatório de emprego dos EUA de agosto. Depois de um ADP fraco (38 mil postos no setor privado), é o dado que pode confirmar ou desmentir o arrefecimento do mercado de trabalho e pesar na decisão da Fed.

Nas próximas duas semanas chegam os dados de inflação que Waller disse estar a observar. A reunião da Fed é a 15 e 16 de setembro. Dois dias depois, a 17 e 18, decide o Banco do Japão, com o mercado a apostar numa subida.

Ainda hoje, depois do fecho, apresentam resultados a Lululemon, a DocuSign, a Zscaler e a Samsara. Na Europa, a decisão da Google e a posição da Elliott na Deutsche Telekom vão continuar a dar que falar.

E o Médio Oriente continua a ser a variável que ninguém controla. Qualquer escalada volta a puxar pelo petróleo e pelas yields.


ℹ️ Os valores apresentados correspondem ao fecho da sessão de 3 de setembro de 2026, com base em CNBC, Yahoo Finance, TheStreet, Trading Economics e Reuters. Os dados dos índices europeus são aproximados ao fecho. Este artigo é conteúdo informativo e não constitui aconselhamento financeiro.

Perguntas frequentes

Quanto paga a Nvidia pela Hugging Face?

Cerca de 13 mil milhões de dólares: 11,9 mil milhões aos acionistas mais um programa de retenção em ações até mil milhões para os trabalhadores. O fecho está previsto para o primeiro semestre de 2027.

Porque subiu Wall Street a 3 de setembro de 2026?

O governador da Fed Christopher Waller disse estar inclinado a manter os juros em setembro, o que fez recuar as yields e as probabilidades de uma subida de juros. O S&P 500 subiu 1,06%, o Nasdaq 1,40% e o Dow 1,18%.

O que fica no radar para os próximos dias?

O relatório de emprego dos EUA de 4 de setembro, os dados de inflação das próximas duas semanas, a reunião da Fed a 15 e 16 de setembro e a decisão do Banco do Japão a 17 e 18 de setembro.

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