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Chips em bear market, Netflix a afundar e petróleo a disparar: o resumo do dia nos mercados (17 de julho)

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Chips em bear market, Netflix a afundar e petróleo a disparar: o resumo do dia nos mercados (17 de julho)
Foto de Sede da Netflix em Los Gatos, Califórnia. Foto: Coolcaesar, CC BY-SA 4.0, via Wikimedia Commons no Unsplash

Resposta rápida

Na sessão de 17 de julho de 2026, o S&P 500 caiu 1,01% para 7.457,69 pontos, o Nasdaq perdeu 1,40% e o Dow desceu 0,77%. O índice de semicondutores entrou em bear market, a Netflix afundou após previsões abaixo do esperado e o petróleo disparou com a escalada entre os EUA e o Irão.

Sexta-feira fechou com o mesmo tema que dominou a semana inteira: os semicondutores. Só que desta vez o movimento deixou de ser uma correção e passou a bear market.

O S&P 500 caiu 1,01% para 7.457,69 pontos. O Nasdaq Composite perdeu 1,40%, para 25.520,24. O Dow Jones desceu 0,77%, menos 406,55 pontos, para 52.146,42. O Russell 2000 aguentou-se melhor e cedeu 0,39%, para 2.962,99.

Não foi um dia de pânico generalizado. Foi um dia de rotação: quem estava em tecnologia saiu, e o dinheiro foi parar à energia e aos setores que ficaram para trás este ano.

Aqui ficam as notícias que mais mexeram com os mercados hoje, por ordem de relevância.

1. 📉 Os chips entraram oficialmente em bear market

O índice de semicondutores de Filadélfia (SOX) chegou a cair 5,7% durante a sessão. Isso levou a queda acumulada desde o máximo histórico de finais de junho para mais de 20%, o limite técnico que define um bear market.

O contexto ajuda a perceber a dimensão. Entre o mínimo de março e o pico de junho, este índice de 30 empresas tinha subido 105%. Foi o motor do rally deste ano. Só esta semana perdeu cerca de 11%, o pior desempenho semanal desde as tarifas de abril de 2025. E desde 22 de junho, as ações de semicondutores a nível global perderam à volta de 3,3 biliões de dólares em valor de mercado. Marvell, ARM e Intel caíram mais de 30% nesse período.

A dúvida por trás disto não é sobre a procura de hoje. É sobre quanto tempo os grandes compradores de infraestrutura de inteligência artificial vão continuar a gastar sem receitas claras que justifiquem o investimento.

2. 🤖 A China lançou o Kimi K3 e reacendeu o "momento DeepSeek"

A startup chinesa Moonshot apresentou o Kimi K3, um modelo open-weight de 2,8 biliões de parâmetros que, segundo as primeiras leituras, compete com vários modelos da OpenAI e da Anthropic.

Porque é que isto move a bolsa: se um modelo chinês aberto consegue resultados equivalentes, a tese de que é preciso gastar centenas de milhares de milhões em GPUs para ficar à frente fica mais frágil. Foi esse o receio que derrubou o Nasdaq em janeiro de 2025 com o DeepSeek. Vários traders já lhe chamam o segundo "momento DeepSeek".

3. 🎬 A Netflix desiludiu nas previsões e as ações afundaram

A Netflix apresentou resultados na quinta-feira ao fecho e o mercado castigou. As ações fecharam quinta nos 74,35 dólares e, na sexta, chegaram a cair mais de 11%, a negociar entre os 65 e os 69 dólares durante o dia.

O trimestre até foi razoável: receitas de 12,56 mil milhões de dólares (+13% face ao ano anterior) e lucro por ação de 0,80 dólares, ligeiramente acima do esperado. O problema foi o que vem a seguir. Para o terceiro trimestre, a empresa aponta para 12,86 mil milhões de receitas, abaixo dos 13 mil milhões que os analistas esperavam. Seria o crescimento mais lento desde 2023.

Dois detalhes pesaram tanto como os números:

→ O cash flow livre caiu para 1,5 mil milhões, de 2,3 mil milhões, em parte por impostos ligados aos 2,8 mil milhões que a Paramount Skydance pagou à Netflix pela desistência da compra da Warner Bros. Discovery.

→ A partir de 2027, o relatório de visualizações passa a ser anual em vez de semestral. Menos transparência sobre engagement, num momento em que o mercado já duvida do crescimento. O co-CEO Greg Peters resumiu a mudança dizendo que "nem todas as horas são iguais".

Os analistas reagiram no mesmo dia. O Barclays cortou o preço-alvo para 80 dólares e escreveu que a Netflix está a "perder o controlo da narrativa". A Pivotal Research cortou de 96 para 70 dólares.

4. 🛢️ O petróleo disparou com a escalada no Médio Oriente

O CENTCOM lançou nova ronda de ataques contra o Irão, a sétima noite consecutiva. O Irão respondeu, dizendo ter atacado instalações americanas no Golfo.

O WTI subiu cerca de 3,7% durante a sessão, para perto dos 82 dólares por barril, e acumula uma valorização de mais de 13% na semana. O Brent aproximou-se dos 85,5 dólares, no quarto dia consecutivo de subidas.

Isto explica a rotação do dia: energia e utilities lideraram os ganhos setoriais em Wall Street enquanto a tecnologia sangrava. Explica também porque é que o ouro se manteve perto dos 4.000 dólares.

5. 🌏 A Ásia levou a pior

O Nikkei 225 fechou nos 64.141,12 pontos, uma queda de 4,03% (menos 2.694,42 pontos). Durante a sessão chegou a perder 6,18%. O índice japonês está agora cerca de 11,4% abaixo do máximo de fecho de 72.366,34 registado a 25 de junho, o que confirma correção.

O resto da região seguiu o mesmo caminho: TOPIX -2,72%, Shanghai Composite -3,05% e Hang Seng -1,78%. Taiwan foi a praça mais atingida, com o Taiex a perder perto de 6%, o pior dia desde as tarifas de abril de 2025.

A bolsa sul-coreana esteve fechada por causa do Dia da Constituição, feriado reposto no calendário este ano. Na quinta-feira, o Kospi já tinha caído 6,37%, com a Samsung Electronics e a SK Hynix a liderar as perdas.

6. 🇪🇺 A Europa aguentou-se melhor do que parecia

O STOXX 600 fechou a perder 0,41%. O DAX cedeu 0,35%, o CAC 40 desceu 0,47% e o FTSE MIB caiu 0,94%. Em Londres, o FTSE 100 conseguiu fechar em alta, a subir 0,27%, ajudado pela energia.

A tecnologia europeia foi o setor mais penalizado, a perder 2,7%, com a Soitec a cair perto de 6%, a ASMI cerca de 4,4% e a ASML à volta de 2,8%.

Nas empresas individuais:

→ A Burberry caiu 4,5% depois de dizer que o conflito no Médio Oriente pesou no consumo dos turistas na Europa.

→ A Saab subiu mais de 5% com um lucro operacional trimestral acima do esperado. A defesa continua a ser o setor que ignora o resto.

→ A norueguesa Tomra Systems saltou perto de 15% com bons resultados. Do lado oposto, a sueca Lagercrantz caiu quase 15%. A Volvo reportou um lucro trimestral 35% acima do ano anterior.

📊 Como fecharam os principais índices

Índice Fecho Variação
S&P 500 (EUA) 7.457,69 -1,01%
Nasdaq Composite (EUA) 25.520,24 -1,40%
Dow Jones (EUA) 52.146,42 -0,77%
Russell 2000 (EUA) 2.962,99 -0,39%
STOXX 600 (Europa) n.d. -0,41%
DAX (Alemanha) n.d. -0,35%
CAC 40 (França) n.d. -0,47%
FTSE 100 (Reino Unido) n.d. +0,27%
Nikkei 225 (Japão) 64.141,12 -4,03%
Hang Seng (Hong Kong) 24.562,24 -1,78%
Shanghai Composite (China) 3.764,15 -3,05%
Kospi (Coreia do Sul) Fechado Feriado

7. 🇺🇸 A confiança do consumidor americano subiu (mas o contexto importa)

A leitura preliminar do índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan para julho subiu 10%, para 54,4 pontos, contra 49,5 em junho. É o segundo mês consecutivo de melhoria e o valor mais alto desde fevereiro. O mercado esperava 51,0.

O motor principal foi a descida dos preços da gasolina, o que é irónico no dia em que o petróleo disparou. As expectativas de inflação a um ano aliviaram para 4,2%, de 4,6%. A cinco anos ficaram nos 3,3%.

Ainda assim, o índice continua 12% abaixo do valor de há um ano. Joanne Hsu, diretora do inquérito, resumiu assim: com os preços ainda a níveis frustrantes, os consumidores dificilmente estão entusiasmados com a economia.

🗓️ O que fica no radar

A semana que vem muda de tema. O foco sai da banca e passa para os grandes nomes da tecnologia e do consumo.

Segunda-feira arranca com a reunião do Banco Popular da China. Terça traz o mercado de trabalho no Reino Unido, mais resultados da Charles Schwab, da 3M e da General Motors. Quarta-feira é o dia pesado: a inflação britânica de manhã e, ao fecho americano, contas da Tesla, da Alphabet, da IBM e da ServiceNow. Depois do que a Netflix fez ao sentimento esta semana, esses números vão ser lidos com lupa, sobretudo o capítulo do investimento em IA.

Quinta-feira, 23 de julho, é a reunião do BCE. A expectativa generalizada é que os juros fiquem onde estão, mas o mercado continua a apontar para uma segunda subida em setembro. A subida do petróleo torna essa conversa mais viva, porque reacende o risco inflacionista na Europa.

E há duas coisas para vigiar todos os dias: a escalada entre os EUA e o Irão, que manda no preço do barril, e a reabertura da bolsa sul-coreana na segunda-feira, o termómetro mais direto do sentimento sobre memórias e IA.

Todos os valores referidos são fechos ou movimentos da sessão de sexta-feira, 17 de julho de 2026, e podem ter sido revistos depois da publicação. Este artigo é conteúdo informativo e educativo. Não é aconselhamento financeiro nem uma recomendação de compra ou venda.

Perguntas frequentes

Como fecharam os principais índices americanos a 17 de julho de 2026?

O S&P 500 caiu 1,01% para 7.457,69 pontos, o Nasdaq Composite perdeu 1,40% para 25.520,24, o Dow Jones desceu 0,77% (menos 406,55 pontos) para 52.146,42 e o Russell 2000 cedeu 0,39% para 2.962,99.

Porque é que as ações da Netflix caíram?

Os resultados do 2.º trimestre foram razoáveis (receitas de 12,56 mil milhões, +13%), mas as previsões desiludiram: a empresa aponta para 12,86 mil milhões de receitas no 3.º trimestre, abaixo dos 13 mil milhões esperados. Pesaram também a queda do cash flow livre para 1,5 mil milhões e a decisão de reportar dados de visualização apenas uma vez por ano a partir de 2027.

O que significa o índice de semicondutores ter entrado em bear market?

Significa que o SOX acumula uma queda superior a 20% face ao máximo histórico de finais de junho, o limite técnico que define um bear market. O índice tinha subido 105% entre o mínimo de março e o pico de junho, e as dúvidas sobre a sustentabilidade do investimento em infraestrutura de IA inverteram esse movimento.

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